O dinheiro entra, mas o lucro some: O guia de precificação para não quebrar
Vê o dinheiro entrando no caixa, mas a conta nunca fecha no fim do mês? Descubra os custos ocultos na sua precificação, como impostos e taxas, e por que a falta de um preço correto leva 50% dos negócios a fecharem as portas.
A notificação do PIX chega no celular. Mais uma venda! O cliente está satisfeito, o produto foi entregue. Por um momento, você sente aquele alívio, aquela sensação de que o esforço está valendo a pena. O caixa tem dinheiro, as coisas estão girando. Aparentemente, está tudo bem.
Mas então o fim do mês se aproxima. O aluguel vence, a fatura do fornecedor de matéria-prima chega, é preciso pagar a conta de luz, a internet, o DAS do MEI. De repente, aquele dinheiro que parecia abundante no caixa some. Você olha para o saldo e se pergunta: “Para onde foi todo o dinheiro? Eu vendi tanto, como pode não ter sobrado nada?”
Se essa angústia lhe parece familiar, você não está sozinho. Essa é a armadilha mais perigosa para o empreendedor iniciante: a ilusão do caixa cheio. É uma miragem que esconde um deserto de custos invisíveis e que, segundo o SEBRAE, é um dos principais motivos que levam milhares de empresas a fecharem as portas antes mesmo de completarem cinco anos.
Neste artigo, vamos acender a luz sobre esse problema. Vamos mergulhar nos “custos ocultos” da sua operação e te dar um mapa claro para construir uma precificação que não apenas pague as contas, mas que gere o lucro que seu negócio precisa para crescer e prosperar.
A grande ilusão: Por que dinheiro em caixa não é lucro
O primeiro conceito que precisamos separar é um dos mais mal compreendidos: a diferença entre fluxo de caixa e lucratividade.
- Fluxo de caixa: É o movimento de entrada e saída de dinheiro do seu negócio em um período. Vendeu um produto por R$100? Entraram R$100 no seu caixa. Simples assim. É o que você usa para pagar as contas do dia a dia.
- Lucratividade: É o que sobra da sua receita (o dinheiro das vendas) DEPOIS que você pagou absolutamente TODOS os custos e despesas para gerar aquela venda.
O problema é que o fluxo de caixa pode ser enganoso. Você pode ter R$ 5.000 no banco hoje, mas se tiver R$ 6.000 em boletos para pagar na próxima semana, seu negócio não está saudável. A sensação de segurança é falsa. É como estar feliz por ter o tanque do carro cheio, sem perceber que o motor está vazando óleo e prestes a fundir.
A precificação errada é o principal furo nesse motor. Quando seu preço de venda não cobre todos os custos, cada venda que você faz, na verdade, acelera o caminho para o prejuízo. Você trabalha mais, vende mais e, paradoxalmente, perde mais dinheiro.
O iceberg da precificação: Os custos que você não vê

Imagine que seu preço de venda é apenas a ponta de um iceberg. É a parte visível, o valor que o cliente paga. Mas abaixo da superfície da água, escondida, está a massa gigantesca de gelo que sustenta aquela ponta: seus custos. Se você ignorar essa parte submersa, seu negócio vai naufragar como o Titanic.
Vamos mapear essa parte invisível do iceberg, bloco por bloco.
1. Custos variáveis: Os custos “filhos” de cada venda
Esses são os custos que aumentam conforme você vende mais. Se você não vende nada, eles são zero.
- Matéria-prima/insumos: O custo da farinha para o bolo, do tecido para a roupa, do produto que você comprou para revender.
- Embalagem: A caixa, o laço, a sacola que você usa para entregar o produto.
- Taxas de transação: A porcentagem que a maquininha de cartão fica (débito, crédito à vista, parcelado), a taxa do gateway de pagamento do seu site. Isso é um custo direto de cada venda!
- Comissões: Se você paga uma porcentagem para um vendedor ou marketplace.
- Frete (se você arca com ele): O custo de envio para o cliente.
Erro Comum: Calcular apenas o custo do produto principal e esquecer de todo o resto. Aquele 3% da maquininha parece pouco, mas ao final de um ano, pode representar milhares de reais que saíram do seu lucro.
2. Custos fixos: Os custos que “nascem todo mês”
Esses são os custos que você tem todo mês, vendendo ou não. Eles não dependem do seu volume de vendas.
- Aluguel do seu espaço, ateliê ou escritório.
- Contas de consumo: Água, luz, internet, telefone.
- Salários e pró-labore: Sim, o seu salário (pró-labore) é um custo fixo da empresa! Se você não o define, acaba misturando o dinheiro pessoal com o do negócio, o que é uma receita para o desastre.
- Software e assinaturas: A mensalidade do sistema de gestão, do software de design, da plataforma de e-commerce.
- Marketing fixo: O valor pago mensalmente para uma agência ou gestor de tráfego.
O pulo do gato: O rateio. Aqui está o segredo que muitos ignoram. Como um custo fixo, como o aluguel de R$2.000, entra no preço de um único brigadeiro que você vende? Através do rateio.
Você precisa estimar quantas unidades pretende vender no mês. Se você planeja vender 2.000 brigadeiros, cada um deles precisa “ajudar” a pagar o aluguel.
Cálculo simples de rateio: R$ 2.000 (aluguel) / 2.000 (unidades) = R$ 1,00.
Isso significa que R$ 1,00 do preço de cada brigadeiro é destinado a pagar uma pequena parte do aluguel. Você precisa fazer isso para TODOS os seus custos fixos.
3. Os inimigos silenciosos: Impostos e despesas ocultas
Esta é a categoria mais negligenciada. São custos que não parecem “custos”, mas corroem seu lucro silenciosamente.
- Impostos: Se você é MEI, tem o DAS mensal. Se está no Simples Nacional, uma porcentagem (que começa em 4% para comércio e 6% para serviços) de TUDO que você fatura é imposto. Esse dinheiro nunca foi seu! Você é apenas um intermediário que o repassa ao governo. Precificar sem incluir a alíquota do seu imposto é o erro mais fatal de todos.
- Depreciação: Seu computador, seu forno, seu celular de trabalho perdem valor com o tempo e um dia precisarão ser substituídos. Uma pequena “reserva para depreciação” deveria estar embutida no seu preço para que você tenha dinheiro para reinvestir em equipamentos no futuro.
- Perdas e desperdícios: O ingrediente que estragou, o produto que quebrou no transporte, o item que saiu com defeito. Isso é custo e precisa ser considerado.
A espiral descendente: O resultado da precificação errada

Quando o preço está errado, uma cadeia de eventos desastrosa começa a se desenrolar:
- O lucro não aparece: Você trabalha sem parar, mas não vê o resultado financeiro. A frustração e o esgotamento começam a bater.
- Canibalização do capital de giro: Para pagar as contas urgentes, você começa a usar o dinheiro que deveria ser usado para comprar novos insumos.
- Queda na qualidade: Sem dinheiro para comprar matéria-prima de qualidade ou para manter os equipamentos, você começa a fazer “cortes”. O produto já não é tão bom, a entrega começa a atrasar.
- Perda de clientes: Os clientes percebem a queda na qualidade e param de comprar. As avaliações negativas começam a aparecer.
- Endividamento: Para tentar salvar a operação, você recorre a empréstimos e ao cheque especial, cujos juros altos só aprofundam o buraco.
Este é o roteiro exato que leva um negócio promissor ao fracasso. Não é por falta de um bom produto ou de trabalho duro. É por falta de matemática básica na fundação do negócio: o preço.
Do caos ao controle: Como construir seu preço de venda
Chega de achismo. Precificar corretamente é mais simples do que parece. Siga estes passos:
- Liste TUDO: Pegue uma planilha ou um caderno e liste absolutamente todos os seus custos: fixos, variáveis e os “inimigos silenciosos”. Não deixe nada de fora.
- Calcule o custo unitário: Some o custo variável de uma unidade de produto com o rateio de todos os custos fixos para aquela unidade. Este é o seu custo total por produto. É o valor mínimo para você não ter prejuízo.
- Defina sua margem de lucro: O lucro não é o que sobra. É uma porcentagem que você adiciona ao seu custo. Se seu custo total por produto é R$ 50 e você quer ter 20% de lucro, seu preço final não será R$ 60.
A conta é um pouco diferente (Preço de venda = custo total / (1 – %margem de lucro)), mas o conceito é: o lucro é um objetivo a ser adicionado, não um acaso. - Analise o mercado: Com seu preço ideal em mãos, compare com a concorrência. Se estiver muito acima, sua proposta de valor justifica o preço? Se estiver muito abaixo, você não está deixando dinheiro na mesa?
Precificar não é uma ciência exata e não é uma tarefa feita uma única vez. É um processo contínuo de análise e ajuste. Mas começar com a base correta é o que separa os negócios que sobrevivem e prosperam daqueles que se tornam apenas mais uma estatística.
Não deixe que a ilusão do caixa cheio dite o futuro da sua empresa. Assuma o controle dos seus números, pois são eles que constroem a ponte entre seu trabalho duro e o sucesso que você tanto merece.
Sente que precisa de ajuda para organizar esses números e encontrar seu preço ideal? Ferramentas de gestão podem automatizar o cálculo de custos e te dar uma visão clara da sua lucratividade.
Criamos algumas planilhas de precificação que poderão te ajudar. Clique no botão abaixo para adquirir as planilhas da Land Grow gratuitamente!